Grande Otelo

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Tela feita pelo grafiteiro CRÂNIO, em apoio à campanha.

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Hebe Camargo num lambeselinho em Grande Otelo, mascote da campanha.

domingo, 16 de agosto de 2015

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terça-feira, 28 de julho de 2015

LEISHMANIOSE

Leishmaniose Causas, sintomas e tratamento em Humanos.


Usa-se o termo Leishmaniose para definir um conjunto de doenças (as Leishmanioses, para ser mais correto), causadas por parasitas do gênero Leishmania. Estes parasitas estão presentes em quase todos os continentes, com exceção da Austrália e Antártica, já tendo sido identificadas mais de 20 espécies.

A leishmaniose é caracterizada pela OMS (organização mundial de saúde) como uma das seis doenças infecciosas mais importantes do mundo. Estima-se que sejam acometidas todo ano cerca de 2 milhões de pessoas, no entanto a Leishmaniose é considerada uma doença negligenciada pela indústria farmacêutica, por acometer majoritariamente populações menos favorecidas, ou seja, com menor poder de compra e menor potencial de gerar lucros a essas empresas. No Brasil a leishmaniose está presente em todos os estados.

Apesar de infectarem primariamente animais, o homem pode ser contaminado se estiver presente em uma área endêmica, tanto como viajantes ou como residentes.
Leishmaniose - mosquito 
Mosquito transmissor da leishmaniose - Flebótomo
A transmissão da doença se dá através da picada de um inseto, o flebótomo do gênero Lutzomyia, que é pequeno o suficiente para atravessar malhas de mosquiteiros e telas. Ele recebe diversos nomes que variam com a região onde é encontrado, como mosquito palha, tatuquira, birigüi, cangalhinha, asa branca, asa dura e palhinha.

Não há transmissão direta de pessoa para pessoa. A leishmaniose é uma zoonose. O mosquito só transmite a leishmania se tiver picado um animal infectado. 

As fontes de infecção são principalmente animais silvestres infectados, mas o cão doméstico pode servir também como hospedeiro (usamos este termo para designar o ser infectado). Quando o homem é picado pelo inseto que carrega a leishmania, pode desenvolver dois tipos de doença: a leishmaniose tegumentar (que acomete a pele e as mucosas) ou a leishmaniose visceral ou calazar (que acomete os órgãos internos). O que define se o paciente terá a forma cutânea ou a forma visceral é o tipo de leishmania que o contamina. 

Classificação e sintomas da leishmaniose (fotos retiradas do http://portal.saude.gov.br).

Após a picada do mosquito, o protozoário é inoculado em nosso corpo podendo se reproduzir localmente ou se espalhar pelo organismo.

Leishmaniose cutênea 1 -LEISHMANIOSE TEGUMENTAR OU FORMA CUTÂNEA - mais de 90% dos casos do mundo ocorrem na Arábia Saudita, Irã, Afeganistão, Peru e Brasil. É caracterizada pela presença de uma úlcera indolor, nas partes expostas do corpo, com formato arredondado ou ovalado, de tamanho variável (desde milímetros até alguns centímetros) e bordas elevadas. O período de incubação (tempo decorrido entre a picada do inseto e o aparecimento de sintomas) é em torno de 2 a 3 meses, mas pode variar de 2 semanas a dois anos.

Leishmaniose cutênea Leishmaniose cutênea 
1.1) Leishmaniose forma cutânea localizada: geralmente há resolução espontânea em um espaço de tempo que varia de acordo com a imunidade do hospedeiro e com o tipo de leishmania envolvido. Pode ocorrer mais de uma lesão ao mesmo tempo (até 20 lesões) e geralmente há boa resposta ao tratamento.

Leishmaniose cutênea difusa  1.2) Leishmaniose forma cutânea disseminada: é uma forma rara que ocorre em apenas 2% dos casos, caracterizada pelo aparecimento de múltiplas lesões papulares e acneiformes (semelhantes a acne), envolvendo várias partes do corpo, inclusive a face e o tronco, podendo chegar a centenas. Inicialmente há lesões semelhantes às da forma localizada, havendo posteriormente disseminação do parasita através do sangue, levando ao surgimento de lesões distantes da picada em poucos dias. Pode haver febre, dores musculares, mal-estar geral e emagrecimento. É uma forma que apesar de mais extensa também apresenta boa resposta ao tratamento.

No Brasil, esta forma é normalmente causada pela espécie leishmania amazonensis e leishmania braziliensis. 

1.3) Leishmaniose forma cutânea difusa: forma rara e grave, em que o indivíduo não consegue gerar uma resposta imunológica adequada para eliminar o parasito. No Brasil é causada pela espécie  leishmania amazonensis. 

Não há úlcera, mas sim lesões nodulares ou em placas, cobrindo grandes extensões do corpo, frequentemente associadas a deformidades e que respondem mal ao tratamento. Habitualmente existem grandes quantidades de leishmania nas lesões.

1.4) Leishmaniose forma mucosa ou muco-cutânea: corresponde a aproximadamente 3 a 5% dos casos de leishmaniose tegumentar. É caracterizada por resposta imunológica exacerbada e ineficaz, com destruição dos tecidos onde se localiza a infecção e má resposta ao tratamento. Acomete as mucosas das vias aéreas superiores (nariz, boca) e é indolor. Geralmente surge após cicatrização de uma lesão cutânea, (tanto espontaneamente como por terapêutica inadequada), através da disseminação do parasito pelo sangue ou vasos linfáticos. Entretanto, pode ocorrer sem evidência de lesão cutânea prévia ou concomitantemente a uma lesão cutânea a distância.

2) LEISHMANIOSE FORMA VISCERAL - forma crônica caracterizada pelo acometimento sistêmico (dos órgãos internos) pela leishmania, em oposição aos casos acima descritos, em que a doença é restrita à pele ou mucosas. No Brasil, a leishmania chagasi é o parasita que causa leishmaniose visceral.

Leishmaniose visceral 
O período de incubação varia de 2 a 6 meses. A infecção pode ser oligossintomática (quase ou nenhum sintoma) ou de moderada a grave, levando o paciente à morte.

Nos casos sintomáticos iniciais, há anemia, esplenomegalia (aumento do baço), hepatomegalia (aumento do fígado) e febre.

Se não for diagnosticada e tratada adequadamente, a doença evolui e pode ocorrer emagrecimento significativo, comprometimento da função hepática e renal, febre contínua e redução do número de plaquetas e de leucócitos, levando a sangramento, infecções bacterianas e óbito.

Na foto ao lado, vê-se um rapaz com leishmaniose visceral, onde foi marcado à caneta a área onde se consegue palpar o baço e o fígado. Repare como ambos encontram-se com tamanhos muito aumentados.

Diagnóstico da leishmaniose

- No caso da Leishmaniose Tegumentar, o aspecto clínico da lesão de pele associado a uma história epidemiológica compatível pode levar ao diagnóstico, mas o ideal é que se utilizem métodos parasitológicos (em que se faz a pesquisa do parasito em um pedaço de tecido) para confirmação.

No caso da Leishmaniose Visceral, o diagnóstico parasitológico pode ser realizado em amostras de medula óssea, fígado, baço e linfonodos.

Intradermoreação de Montenegro: teste realizado com injeção intradérmica de antígenos (proteínas) de leishmania. Caso o doente já tenha entrado em contato com o parasita (está infectado ou já esteve), ocorre uma reação inflamatória no local da injeção. Pode, portanto, ser positivo após tratamento bem sucedido e negativo na forma cutânea difusa, uma vez que depende da resposta imunológica do indivíduo. Nos casos de calazar, o teste é negativo, tornando-se positivo somente após a cura clínica.

Diagnóstico imunológico: utiliza-se a imunofluorescência indireta (RIFI) e o ELISA. Estes testes detectam os anticorpos anti-Leishmania circulantes no sangue de pessoas que já entraram em contato com o parasito. Por isso não devem ser utilizados como critério isolado para diagnóstico na ausência de outros dados clínicos e laboratoriais, 

Tratamento da leishmaniose

As drogas de primeira escolha para tratamento da Leishmaniose são os Antimoniais Pentavalentes. Devem ser administrados por via parenteral (ou seja, intra-muscular ou intra-venosa), por uma período mínimo de 20 dias. A dose e o tempo da terapêutica variam com as formas da doença e gravidade dos sintomas.

O seu principal efeito colateral é a indução de arritmias cardíacas e está contra-indicado em mulheres grávidas nos 2 primeiros trimestres, doentes com insuficiência hepática e renal e naqueles em uso de drogas anti-arrítmicas.

Outras drogas usadas no tratamento da leishmaniose incluem a anfotericina B, paromomicina e pentamidina 

Há vacinas em desenvolvimento no Brasil, já em fases avançadas.

Leia o texto original no site MD.Saúde: LEISHMANIOSE | Sintomas e tratamento http://www.mdsaude.com/2010/05/leishmaniose.html#ixzz1pp5AhtNm

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Pesquisa liderada por brasileiro combate leishmaniose com saliva do mosquito transmissor da doença

Proteína presente no líquido ameniza pela metade as manifestações da doença


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Isabela de Oliveira - Correio BraziliensePublicação:17/06/2015 15:00Atualização:05/06/2015 11:55
Doença que atinge 1,3 milhão de pessoas a cada ano, matando cerca de 30 mil delas, a leishmaniose não tem vacina. Uma parceria entre pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos traz resultados que podem mudar esse cenário. Eles conseguiram diminuir as manifestações da enfermidade infecciosa em mais de 50% e ainda reduzir o tempo de recuperação com uma vacina criada a partir da proteína PdSP15, encontrada na saliva do mosquito transmissor da doença. Encabeçadas pelo pesquisador brasileiro Luiz Fabiano Oliveira, que trabalha nos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, as descobertas foram detalhadas na edição de hoje da revista Science Translational Medicine.

Clique na imagem para ampliá-la e saiba mais  (Cristiano Gomes / CB / D.A Press)
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Ao se falar em vacina, imagina-se que ela foi criada para atacar um vírus, explica o infectologista Werciley Junior, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília. “No caso de protozoários, há um problema: eles são maiores que os vírus e invadem as células de defesa, no caso os macrófagos, que deveriam capturar e destruir esses micro-organismo, ‘comendo-os’”, detalha o médico não participante do estudo. No entanto, no caso de doenças como a leishmaniose, essas estruturas imunológicas acabam sendo atacadas antes pelos parasitas, que as invadem e as utilizam como casa para procriar até explodirem, espalhando a doença pelo corpo.

“As tentativas de vacina que existem miram esse ciclo do parasita, que é muito mais complexo do que o de um vírus. A imunidade imediata, portanto, não resolve o problema. Precisa-se de algo que forneça uma proteção que dure mais tempo”, explica Werciley Junior. Diante desse quebra-cabeça, a equipe de Luiz Fabiano resolveu mirar outra frente de combate: o próprio mosquito transmissor, não o parasita transportado por ele.

A leishmaniose é transmitida pela picada de fêmeas do mosquito-palha infectadas. Ao se alimentarem de sangue, elas danificam a pele do hospedeiro e provocam uma resposta imediata do organismo da pessoa ou do animal atacado. Os flebotomíneos, como também são chamado os mosquitos-palha, desenvolveram maneiras criativas para contornar essa reação imediata. Uma delas é a produção de componentes ativos, na própria saliva, capazes de neutralizar a resposta do hospedeiro. Mas justamente esse artifício podem ser usado contra o parasita, acreditam os autores do novo estudo.

Mesmo em concentrações baixas, essas moléculas contidas na saliva do inseto são potentes e influenciam profundamente a fisiologia do hospedeiro. Estudos anteriores indicaram que roedores imunizados com proteínas presentes na saliva dos insetos ou picados por mosquitos não infectados ficaram protegidos contra a leishmaniose cutânea e visceral. No trabalho de Luiz Fabiano — que teve participação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Fundação Oswaldo Cruz —, verificou-se a capacidade da proteína PdSP15 de proteger macacos rhesus picados por mosquitos infectados.

Defesa recrutada
Para isso, os cientistas expuseram as cobaias saudáveis a 20 picadas de mosquitos-palha não infectados. O processo foi repetido a cada 21 dias. Na primeira rodada de experimentos, um resultado chamou atenção: mais de 60% dos macacos apresentaram resposta imune, mostrando que a picada não contaminada recrutou células de defesa para o local da mordida 48 horas após o “ataque”.

“No nosso caso, a resposta protetora em macacos foi correlacionada com a resposta celular. Isso é importante porque indica que anticorpos não devem ser necessários para a produção do imunizador, o que é diferente, por exemplo, do que é feito com as vacinas contra viroses”, explica Luiz Fabiano ao Correio. Então, o ponto forte da vacina feita com saliva é que, em vez de injetar anticorpos preparados para combater o mosquito, ela incentiva o recrutamento rápido de células — especialmente linfócitos T e macrófagos — para o local da picada.

Sempre que os animais eram picados pelo mosquito, as células “corriam” para onde estava o “buraquinho” da mordida. “Esse recrutamento torna o ponto inóspito para o parasita, evitando que ele se estabeleça no hospedeiro”, conclui o autor. Esse efeito já tinha sido observado em modelos animais, mas é a primeira vez que é comprovado em macacos, animais mais parecidos com o homem. “Isso é um passo a mais para estudos com humanos”, diz Luiz Fabiano.

Duas perguntas para...
Luiz Fabiano Oliveira, pesquisador dos Institutos Nacionais da Saúde (INS), nos Estados Unidos, e principal autor do estudo

Essa linha de pesquisa, a da saliva do mosquito, é antiga?
O início primordial do uso da saliva de vetores remonta a estudos de um brasileiro na Universidade de Harvard, na década de 1980: José Marcos Ribeiro, que também trabalhou na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele foi orientador de Jesus Velenzuela, que me convidou para pesquisar no INS em 2003. Velenzuela estava iniciando o próprio laboratório e já tinha colaborações com a Fiocruz/Bahia. Já conhecia a minha orientadora no Brasil, Aldina Barral, da Fiocruz/Bahia. Hoje, sou funcionário fixo dos institutos como staff scientist. Esse projeto começou entre 2008 e 2009.

Dê mais detalhes sobre a PdSP15.
Ela foi descoberta, ou redescoberta, quando fizemos um screening (detalhamento) de 23 proteínas da saliva desses insetos. Digo redescoberta porque tínhamos evidência de que um homologo de outro vetor protegia roedores. Das 23, a PdSP15 foi a única que apresentou perfil de proteção. Gostaríamos de ter testado outras também, mas o orçamento ao se trabalhar com macacos tem que ser minimizado.

Também previne
Em uma segunda etapa do experimento, para testar a imunização oferecida pela saliva não infectada, os cientistas liderados por Luiz Fabiano Oliveira criaram mosquitos contaminados com o parasita e expuseram os macacos que já haviam sido picados anteriormente por insetos sem a infecção. Os resultados também foram promissores: pelo menos metade das cobaias ficou protegida contra a leishmaniose cutânea. Para melhorar ainda mais, seria excelente que, além da proteína da saliva, fossem utilizadas partes do próprio parasita, avalia o estudioso brasileiro.

“Gostaria de ressaltar a importância de se usar o vetor (mosquito) na infecção. Muitas vacinas contra a leishmaniose foram testadas em laboratórios com sucesso, mas não se mostraram eficientes em humanos”, observa Luiz Fabiano. Segundo ele, todas contaram com a inoculação direta de parasitas em roedores e macacos. “O nosso diferencial é que a nossa protegeu os animais contra as picadas de 50 vetores infectados e, por isso, é mais semelhante ao que ocorre na natureza”, compara.

O próximo passo é saber se os resultados podem ser replicados em humanos. Por determinação da Food and Drug Administration (FDA) — uma espécie de Anvisa dos EUA — , antes dos testes clínicos com humanos, é preciso testar a toxicidade em animais. “O que não é muito problemático, pois essa proteína é inoculada em humanos a todo tempo, especialmente nas regiões endêmicas”, explica Luiz Fabiano. Enquanto os requisitos da agência não são cumpridos, a ação da proteína foi testada in vitro com amostras de células do sangue humano. “Vimos, assim, que indivíduos que são naturalmente expostos à picada respondem positivamente a essa proteína”, conta.

Essa constatação é um dos focos de atenção da pesquisa. Isso porque a grande maioria das pessoas tem leishmaniose uma vez, ou seja, desenvolve imunidade após a cura. “Parte do nosso interesse é entender por que em áreas endêmicas existe muita gente positiva para o parasita, mas que nunca teve a doença”, questiona cientista. Segundo o brasileiro, a condição sinaliza que é possível que essas populações estejam sendo protegidas pelas picadas dos mosquitos não infectados, assim como foi observado nos macacos rhesus.