Grande Otelo

Grande Otelo
Tela feita pelo grafiteiro CRÂNIO, em apoio à campanha.

Apoio de várias celebridades

Apoio de várias celebridades
Hebe Camargo num lambeselinho em Grande Otelo, mascote da campanha.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Leishmaniose - Entrevista Dr. Vitor

Todas as forças contra a Leishmaniose Visceral

07/05/2014 by arcabrasil | Filed under Dicas/ Lazer.
Confira essas matérias na edição de março/abril da revista Nosso Clínico
Evidências científicas mostram que eliminação de cães não é o caminho
Há alguns anos, muito se tem falado e escrito sobre “evidências científicas” para justificar procedimentos médicos e médicos veterinários, em tratamentos individuais e coletivos, quando associados a controle de doenças em humanos e animais. Quando analisamos a leishmaniose visceral no Brasil confrontamos com outras forças além das exigidas “evidências científicas” para a tomada de atitudes, como imposição de portarias e ameaças a profissionais e cidadãos. Podemos analisar cada uma dessas forças.
Primeiramente nos perguntamos sobre quais evidências científicas se baseiam aqueles que insistem em manter o extermínio de cães, independente das questões que essa medida acarreta socialmente. Sabemos de inúmeras publicações científicas que demonstram a ineficácia da eliminação em massa de cães como forma de controle da leishmaniose visceral humana, notadamente no Brasil (WHO, 2010). Além disso, vem sendo claramente demonstrado os inúmeros erros de diagnóstico cometidos durante os inquéritos caninos e, ainda assim, se mantêm as duas atitudes: diagnósticos imprecisos da infecção canina e extermínio em massa dos cães (Alves & Bevilacqua, 2004; Romero e Boelaert, 2010; Costa, 2001; Costa, 2012; Dantas-Torres et al., 2012). Dois estudos matemáticos demonstram que a eliminação canina não é o caminho para o controle da leishmaniose visceral (Dye, 1996; Massad et al. 2013). Inesperadamente, apesar dessas evidencias cientificas, alguns órgãos de classe mantêm seu discurso a favor da eliminação em massa, sem questionamentos ou sugestões que possam abrir outros caminhos, por meio de seus conselhos consultivos ou grupos de estudo.
Então, se não existem evidencias científicas que deem sustentação ao extermínio canino em massa, quais seriam as forças que sustentam o procedimento? Existiriam motivações políticas ou simplesmente questões ligadas a vaidades científicas ou manutenção de cargos em diferentes setores? Isso foi discutido por Costa (2011) e debatido durante o WORLDLEISH 5 (Maio/2013), ocorrido no Brasil, especialmente por ocasião do Fórum Satélite “Kill or treat: which way should we (and dogs) go? Insights from science, state, public health, ethics and society” (Matar ou tratar: por qual caminho devemos (e os cães) ir? Perspectivas da ciência, estado, saúde pública, ética e sociedade ). Naquela ocasião a comunidade científica internacional presenciou a situação brasileira, de um lado enraizada na premissa de controlar a leishmaniose visceral sem adequar suas medidas às evidencias cientificas, utilizando-se do poder estatal para implementar e manter condutas voltadas à sumária eliminação canina, e, do outro lado, a comunidade veterinária, composta por médicos veterinários clínicos, que defendem a manutenção da vida de animais infectados por meio de medidas terapêuticas e preventivas.
Outro aspecto relevante, ligado diretamente à eliminação canina, é o tratamento de cães infectados, doentes ou não. Condutas médicas, sustentadas por premissas científicas, nos qualificam a tratar e acompanhar os cães, e gradativamente os gatos, nessas condições. O tratamento da LVC é exercido em todo o mundo, ensinado nas universidades, em livros de medicina veterinária e artigos científicos (Solano-Gallego et al., 2011). No Brasil, a ANCLIVEPA BRASIL e suas regionais, e mais recentemente o BRASILEISH – GRUPO DE ESTUDO EM LEISHMANIOSE ANIMAL vem promovendo encontros contínuos entre médicos veterinários, outros profissionais e a sociedade em geral com o intuito de gerar informação e contribuir para que os programas de saúde envolvendo a leishmaniose visceral sejam pautados nas mais atualizadas premissas científicas. Desejamos conciliar as medidas de controle com o tratamento canino, somando forças e protegendo a saúde e a dignidade humana. Tivemos a recente decisão do Ministro Presidente do STF, Dr. Joaquim Barbosa, em 08.10.2013, que aponta para o médico veterinário o direito de tratar cães com leishmaniose visceral. (Veja a decisão http://migre.me/i2FgD)
O BRASILEISH (www.brasileish.com.br) quer somar forças! Nesse sentido, propôs medidas de controle para a leishmaniose visceral no Brasil pautadas em: 1 – Educação em Saúde; 2 – Controle da população canina; 3 – Diagnóstico e tratamento de cães com leishmaniose visceral; 4 – Combate ao vetor.
Essas forças transformadoras não têm sido adequadamente adotadas, pois não temos testemunhado nas áreas endêmicas programas oficiais de educação continuada que orientem as comunidades sobre as principais medidas de controle da LV, incluindo as de proteção individual (colares inseticidas para cães e gatos, inseticidas tópicos para animais e humanos, telas protetoras, inseticidas ambientais, medidas ambientais, entre outras). É importante salientar que essas medidas devem ser permanentes e interligadas com as associações e lideranças comunitárias, bem como visitas educativas domiciliares e às escolas sobre a posse responsável e aspectos relacionados à prevenção da leishmaniose visceral, em cães e em humanos.
O controle da população canina, timidamente realizado em alguns centros do país, de forma oficial, exige investimento público para chipagem, castração e vacinação. A vacinação canina – necessária para proteção da saúde publica – inclui as vacinas contra raiva, leishmaniose visceral e leptospirose. Além disso, um programa sólido, também deve promover medidas de controle de helmintos (vários deles zoonóticos), pulgas, piolhos e carrapatos. Todas essas medidas devem estar associadas com a criação de hospitais públicos veterinários, com prioridade para o controle populacional por meio da esterilização.
O combate ao vetor deve ser prioritário, uma vez que as evidencias cientificas conduzem para que essa seja a medida mais vigorosa para o controle da leishmaniose visceral. Associada a ela, a sistemática e pública vacinação contra a LVC deveria ser assumida pelos órgãos oficiais, a saber, prefeituras, secretarias estaduais e ministérios da saúde e agricultura.
Parece-nos fundamental que os órgãos públicos competentes, associações de classe da medicina veterinária, médicos veterinários clínicos e a sociedade civil em geral deem as mãos, unindo forças contra a leishmaniose visceral, de forma ética e pela vida.
Vitor Márcio RibeiroEscola de Veterinária PUC MinasBRASILEISH – GRUPO DE ESTUDO EM LEISHMANIOSE ANIMAL

A Leishmaniose no Brasil

Os números não mentem: o mal avança a cada ano e a sociedade clama por alternativas – preventivas e humanitárias – de combate à doença
Como sabemos, a leishmaniose visceral (LV) é uma doença grave e pode matar. Países na Europa e em outras regiões endêmicas no mundo concentram suas medidas preventivas no combate ao mosquito transmissor. No Brasil, onde o programa de combate à LV há mais de 50 anos promove o extermínio em massa dos cães infectados – mesmo sem diagnóstico preciso –, o número de casos aumenta a cada ano (vide gráfico).
Milhares de pessoas de todos os estados já se manifestaram pela mudança dessa política cruel e ineficaz, inclusive artistas e celebridades. Especia­listas de vários países alertam sobre a ineficiência de matar o cão positivo como medida de controle da doença, ressaltando ser fundamental o combate ao mosquito, assim como se faz com a dengue.
Veja mais informações sobre a LV no Brasil:

Leishmaniose tem tratamento, mas medicamento é proibido no Brasil

Enquanto na Europa os cães infectados são cuidados com um remédio específico, por aqui, os donos de animais de estimação são proibidos de importar o produto, e acabam com o bichinho sacrificado

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Daniela CostaPublicação:08/05/2014 18:54Atualização:09/05/2014 12:55
O médico veterinário Leonardo Maciel é um dos precursores do tratamento para a leishmaniose no Brasil (Renata Caldeira/Encontro)
O médico veterinário Leonardo Maciel é um dos precursores do tratamento para a leishmaniose no Brasil
Apesar de o tratamento para a leishmaniose visceral canina ser permitido na Europa e em vários outros país do mundo, no Brasil, a discussão é antiga, e provoca polêmicas. Segundo a liminar Nº 677, expedida em outubro de 2013, pelo Supremo Tribunal Federal, os proprietários de cães infectados pela doença têm o direito de tratá-los. No entanto, uma portaria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), diz que o procedimento não pode ser feito com medicamento humano, nem com produto importado. Essas são as únicas formas de cuidar do animal doente.  “Esses medicamentos não estão disponíveis no país. E não podem ser importados por não serem registrados no MAPA. Portanto, a portaria é totalmente contraditória”, explica o advogado Arildo Carneiro Junior, da ACJ dvocacia e Consultoria Jurídica.

Diante de tantas controvérsias, em janeiro de 2013, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região negou a vigência da portaria do MAPA, em resposta a uma ação movida pela ONG Abrigo dos Bichos, do Mato Grosso do Sul. “Com esse entendimento do tribunal, o tratamento pode ser feito através de autorização judicial, já que há precedentes”, explica o advogado. Segundo ele, a maior conquista, no entanto, é que os animais contaminados não podem mais ser recolhidos e sacrificados pelos centros de controle de zoonoses das cidades. “Desde que o proprietário tenha interesse em tratar o animal, ele tem o direito de buscar todos os recursos para fazê-lo”.

O que muitos desconhecem é que os verdadeiros vilões da doença, que afeta tanto humanos quanto animais, não são os cães, mas sim, o mosquito-palha. De difícil combate, ele se reproduz em locais onde existe abundância de material orgânico, como folhas, frutos, fezes de animais, entulhos e lixo. Além disso, ele é hemofágico, e se alimenta do sangue de humanos e animais, incluindo galinha, porco e cavalo. A doença também é transmitida de humano para humano. Para isto, basta que o mosquito infecte alguém e, em seguida, pique outra pessoa.

Proibido no Brasil, o medicamento Glucantime, produzido na França, traz impresso em seu verso a informação de que é destinado ao tratamento de leishmaniose canina (Encontro Digital)
Proibido no Brasil, o medicamento Glucantime, produzido na França, traz impresso em seu verso a informação de que é destinado ao tratamento de leishmaniose canina


No Brasil, a grande discussão, no entanto, gira em torno do sacrífico dos cães infectados e não exatamente do combate efetivo ao vetor. “Os cães são o reservatório para que a infecção se perpetue e, mesmo após o tratamento, continuam sendo fonte de transmissão”, diz o médico epidemiologista Unaí Tupinambás. Em contrapartida, a eutanásia é contestada por especialistas que garantem que a matança de cães não diminui o índice de contágio da leishmaniose. E afirmam que, dos 88 países do mundo onde a doença é endêmica, o Brasil é o único que utiliza a morte dos cães como instrumento de saúde pública.

“A leishmaniose visceral tem controle, tem tratamento eficaz e, portanto, não é necessário fazer a eutanásia do animal, exceto em casos específicos”, explica o veterinário Leonardo Maciel, da clínica Animal Center. Precursor do tratamento da leishmaniose visceral canina em Belo Horizonte, há 20 anos o médico estuda a enfermidade e garante que a campanha feita pelo poder público incentivando o sacrifício dos cães contaminados, como forma de controlar a endemia, surtiu efeito contrário. “O tiro saiu pela culatra. A campanha foi totalmente ineficaz e provocou pânico na população. Hoje, nossa cidade é uma das que mais sofrem com a doença no Brasil. Isso porque inúmeros animais foram abandonados nas ruas, sendo contaminados e se tornando transmissores, e, ao mesmo tempo, se reproduzindo”.

Como o vetor da doença permanece presente nos ambientes não dedetizados, os novos cães adquiridos para suprir a falta dos que foram perdidos acabam sendo contaminados, e, consequentemente sacrificados ou abandonados. “Definitivamente, o problema da leishmaniose não é o cão, e sim o mosquito”, afirma Maciel.

A empresária Márcia Resende Carvalho enfrentou as autoridades para tratar um animal, que viveu mais tempo que o previsto (Geraldo Goulart/Encontro)
A empresária Márcia Resende Carvalho enfrentou as autoridades para tratar um animal, que viveu mais tempo que o previsto
Enquanto a importação de medicamentos veterinários como o Glucantime – indicado para o tratamento da leishmaniose canina – não é liberada, os proprietários seguem fazendo de tudo para salvar seus animais de estimação.  “A doença é um tabu que precisa ser quebrado. Se é para combater algo, vamos combater sua origem, que é o mosquito-palha”, diz a empresária Márcia Resende Carvalho. Em 2003, a empresária comprou uma briga com o poder público para poder tratar o poodle Nicolau. “Lutei muito para que ele não fosse sacrificado, e consegui. Ele viveu bem por muitos anos até falecer por outros motivos. Temos o direito de tratar nossos animais”.

Fique por dentro

  • Leishmaniose – também conhecida como calazar, a contaminação em seres humanos e animais ocorre através da picada da fêmea do mosquito Lutzomyialongipalpis, mais conhecido como mosquito-palha ou birigui
  • Sintomas no ser humano – febre prolongada, perda de peso, falta de apetite e aumento do fígado e baço. Se não tratada a tempo, a leishmaniose visceral tem alto índice de mortalidade em pacientes imunodeficientes portadores de doenças crônicas
  • Sintomas no cão – lesões de pele, perda de peso, descamações, crescimento exagerado das unhas e dificuldade de locomoção. No estágio avançado, o mal atinge fígado, baço e rins, levando o animal ao óbito
Prevenção
  • Fazer a retirada de qualquer tipo de material orgânico como folhas, fezes de animais, entulhos e lixo, onde o mosquito possa se reproduzir. A borrifação química é fundamental em áreas endêmicas
  • Uso de repelentes, coleira própria contra a leishmaniose, vacina específica, higienização do animal e do ambiente
  • A vacina Leishmune, aliada a outros métodos preventivos, reduz a chance de contaminação do animal e enfraquece o protozoário em cães já contaminados, diminuindo a chance de transmissão

Tratamento

O custo médio do tratamento é de R$ 1 mil, variando de acordo com o peso do animal. Inclui sessões de quimioterapia, feita por meio de medicação venal aplicada através de soro, e medicação oral. Exige o comprometimento do proprietário em seguir as orientações veterinárias à risca, com realização de checape periódico e manutenção de alimentação específica com baixo teor de proteína.

Fonte: especialistas consultados

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Prevenção da leishmaniose

Comissão aprova Política Nacional de Vacinação contra a Leishmaniose

Vacina Leish-TEC, da Hertape Calier, é a única registrada no MAPA, recomendada pelo Ministério da Saúde como proteção individual para cães contra a Leishmaniose Visceral
A Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF), da Câmara dos Deputados, aprovou no final de março parecer favorável à Política Nacional de Vacinação contra a Leishmaniose animal. O Projeto de Lei n1.738, proposto em julho de 2011 e que agora aguarda parecer de mais três comissões, demonstra a importância que o tema conquistou no debate público nacional.
A medida representa um grande incentivo ao esforço de pesquisa e desenvolvimento para oferecer à saúde pública do Brasil, a Leish-TEC, uma vacina apta a previnir e controlar essa grave doença. A vacina teve seu registro aprovado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, Brasília/DF), ainda em 2007. Após um longo período de testes, deu-se a comprovação de sua eficácia em janeiro de 2013, por meio da aprovação conjunta com o Ministério da Saúde (, que passou a recomendar a Leish-TEC como medida de proteção individual para cães contra Leishmaniose Visceral.
A vacina Leish-TEC é resultado de um premiado estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Com o título de “Vacina recombinante contra a Leishmaniose Visceral”, foi vencedor do prêmio Bom Exemplo de Ciência, concedido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, a Fundação Dom Cabral, o Jornal O Tempo e a TV Globo Minas.
O estudo, que concorreu com outros 100 projetos, também obteve reconhecimento do prêmio Péter Murányi 2014 de Saúde. O prêmio internacional, que pela primeira vez desde 2002 agraciou um produto veterinário, é direcionado a pessoas ou organizações, de qualquer parte do mundo, que tenham se destacado na promoção do bem estar de populações situadas abaixo do paralelo 20 de latitude norte, especialmente o Brasil, seja no tocante à saúde, alimentação, educação e desenvolvimento científico e tecnológico.
A doença. A leishmaniose visceral é considerada uma das principais zoonoses emergentes no Brasil, gerando enorme impacto na saúde pública e comoção social pela morte de muitos cães infectados. Causada pelo protozoário Leishmania chagasi, o cachorro é o principal reservatório urbano capaz de infectar o vetor (inseto) transmissor da doença. Devido ao convívio com o animal doméstico, o ser humano torna-se vulnerável à infecção transmitida pela picada do flebotomíneo Lutzomya longipalpis, popularmente conhecido como mosquito-palha ou birigui. 
Os sintomas apresentados pelo animal infectado podem variar de dermatite a úlceras nas orelhas e focinho, lesões oculares, emagrecimento, fadiga, febre, anemia, entre outras. Já no ser humano, os principais sintomas são febre intermitente, com semanas de duração, fraqueza, perda de apetite, emagrecimento, anemia, palidez, aumento do baço e do fígado, comprometimento da medula óssea, problemas respiratórios, diarreia, sangramentos na boca e nos intestinos.
Embora seja curável no ser humano, a leishmaniose visceral causa a morte de até 10% das pessoas infectadas e milhares de cães todos os anos. Por esse motivo, a vacinação do animal é muito importante para prevenção e controle da doença em animais e humanos.  
O caminho até a aprovação. A vacina Leish-TEC é produzida a partir da mais alta tecnologia recombinante, o que a torna um produto seguro para o animal, o proprietário e o veterinário. É, também, altamente imunogênica, pela capacidade de  resposta observada nos animais que receberam o produto. Mas se o diagnóstico já é difícil, pois os sintomas da Leishmaniose visceral são semelhantes a outras doenças, o controle e tratamento, tanto para animais quanto para humanos, também não são tarefas fáceis.
Na última década, diante do forte debate gerado entre especialistas sobre como tratar a questão, o MAPA e o Ministério da Saúde publicaram, em julho de 2007, a Instrução Normativa Interministerial Número 31, que aprovou o Regulamento Técnico para Pesquisa, Desenvolvimento, Avaliação, Registro e Renovação de Licenças, Comercialização e Uso de Vacina Contra Leishmaniose Visceral Canina.
A norma detalha três fases pelas quais uma vacina em desenvolvimento deve ser submetida antes de ser aprovada para uso, além de uma quarta fase para controle posterior. A Leish, registrada pelo o Laboratório Hertape Calier Saúde Animal (Juatuba/MG) passou por todas as etapas.
As Fase I e II dos estudos da vacina Leish-TEC demonstraram a ausência de reações adversas relevantes em animais sadios. Na Fase III foram feitos ensaios clínicos para avaliar a eficácia da vacina em previnir a infecção de cães em áreas de risco, também chamadas de áreas endêmicas. Nessa etapa, as estastísticas mostraram que mais de 96% dos animais vacinados foram protegidos contra a infecção.
Na última etapa, a Fase IV, foram feitos estudos de vigilância e pesquisa, após o registro do produto, para monitorar a possível ocorrência de efeitos adversos. Neste caso, foram registrados em apenas 0,04% do total de vacinas comercializadas no período, demonstrando a eficácia do produto.
A vacina Leish-TEC tornou-se, assim, a única no Brasil a cumprir a determinação da Instrução Normativa e ter o Estudo de Fase III aprovado pelas duas Instituições de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral no Brasil.
Fonte: AI, adaptado pela equipe cães&gatos.
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domingo, 20 de abril de 2014

SAÚDE
LEISHMANIOSE
Problema, considerado uma das sete endemias mundiais de prioridade absoluta da OMS, vem ocorrendo com mais intensidade de dois anos para cá, com o reaparecimento de novos casos

por MARCELO ROBALINHO

De uma doença típica do interior e de áreas desmatadas, a leishmaniose passou também a ser comum nas cidades do perímetro urbano. O problema, considerado uma das sete endemias mundiais de prioridade absoluta da Organização Mundial de Saúde (OMS) e que afeta de 1 a 2 milhões pessoas por ano, vem ocorrendo com mais intensidade de dois anos para cá, com o reaparecimento de novos casos no Brasil. Só nesse período, no Estado de São Paulo, duas pessoas morreram e 30 foram contaminadas pela leishmaniose do tipo visceral, a mais perigosa de todas, que ataca o sistema imunológico e pode matar, caso não seja diagnosticada precocemente. Já a forma tegumentar (cutânea) da doença, embora não mate, causa lesões na pele e nas mucosas, às vezes deformantes, e que também requer atenção e cuidados.

As duas formas transmitidas por intermédio do flebótomo, o mosquito vetor da doença. Os focos mais comuns são o cachorro e o gambá doentes, que são hospedeiros do parasita da leishmaniose. O homem, porém, só é contaminado pelos insetos que picaram esse animais. Por isso, é preciso estar atento e verificar se existem lesões na pele do cão, que são um dos sinais indicativos da doença. “O número de casos da leishmaniose tem crescido, nos últimos anos, por causa da piora das condições sanitárias e ambientais das cidades, do aumento da densidade populacional, que aproxima mais as pessoas e favorece o contágio, e da falta de ações de saúde mais eficazes para controle dos vetores e dos reservatórios da doença”, atesta a professora do Departamento de Medicina Clínica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e doutora em Doenças Infecciosas pela Universidade de São Paulo (USP) Heloísa Ramos Lacerda de Melo.

Um dos problemas da leishmaniose, no entanto, é que, logo no início, os sintomas são pouco aparentes, principalmente na forma visceral. “As manifestações como anemia, fraqueza e febre podem ser confundidas com outras doenças ou mesmo pouco valorizadas pela pessoa. Numa fase mais avançada, quando o fígado e o baço estão bastante aumentados, o crescimento do abdômen pode ser confundido com a esquistossomose”, adianta Heloísa. Assim, febre prolongada, fraqueza e perda de peso, além do aumento do abdômen, devem ser percebidos logo de início, já que o diagnóstico precoce tem como objetivo evitar o intenso efeito sobre o sistema imunológico.

“Muitas vezes, os pacientes morrem em decorrência de infecções, sobretudo a pneumonia, devido à queda das defesas do organismo provocada pela ação do protozoário no sistema imunológico. Outras vezes, devido a intensos sangramentos por falta de fatores de coagulação (plaquetas). Essas complicações, entretanto, só ocorrem em fases mais avançadas, isto é, geralmente após meses de doença”, informa a médica. Por isso, os médicos recomendam que o controle com exames e consultas médicas seja feito até seis meses após a alta, para ter certeza da efetividade do tratamento.

No caso da leishmaniose tegumentar, que costuma atacar mais os adultos residentes nas áreas rurais, o parasita age de forma localizada, causando geralmente lesões na pele. Por isso, deve-se ficar atento a feridas profundas e arredondadas que começam pequenas e vão aumentando progressivamente. Elas aparecem geralmente nas áreas expostas, como na face, nas pernas e nos braços, sem um trauma prévio no local. “Para as formas cutâneas, o tratamento é feito em ambulatórios e o diagnóstico, por meio de biópsia do local afetado”, explica Heloísa Ramos, que também é médica do Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Hospital das Clínicas (HC).


Fonte : UOL

sábado, 12 de abril de 2014

Projeto para implantar coleira repelentes contra o mosquito da leishmaniose começa em junho

FOTO: ILUSTRATIVA
FONTE: REPORTAGEM - PRIMEIRA HORA COM ASSESSORIA
Vila Olinda, Pedra 90 e Jardim Ana Carla foram as três localidades escolhidas para o projeto piloto de implantação de coleiras repelentes ao mosquito vetor da leishmaniose. Nos três bairros, 1.500 cachorros serão encoleirados e terão o sangue coletado. As amostras serão comparadas a mais 1.500 cachorros monitorados no Tancredo Neves e Rui Barbosa, que terão o material igualmente colhido, porém, não receberão coleiras. Na quinta-feira (10), agentes de saúde e ambientais (endemia), foram capacitados a lidar com a nova realidade.

Em uma palestre proferida por Lucas Edel Nonato, da coordenação nacional contra leishmaniose do Ministério da Saúde e pelo pesquisador de Saúde Pública da FioCruz, Fabiano Borges Figueiredo, cerca de 150 agentes tiveram a oportunidade de questionar e saber como proceder com o público específico dos 3 mil cachorros. “É interessante destacar que nada muda. Os procedimentos padrões que são usados no Município não alteram em nada. A pesquisa é apenas uma aliada, não serve como um instrumento de substituição”, reforçou Fabiano.

Conforme explicou Fátima Melo, gerente da Vigilância Ambiental e do Centro de Controle de Zoonoses – CCZ, apesar dos agentes que participaram das capacitações não serem exatamente os que procederão com a implantação das coleiras, elas são os principais difusores de informações e serão os responsáveis por divulgar para a população sobre a nova medida. “Quem fará o encoleiramento e as coletas vão ser os agentes de controle químico e de zoonoses. Os agentes de endemias são responsáveis pela questão preventiva, mas vão ser questionados pelos moradores e precisam saber divulgar bem a proposta”, pontuou.

Já para a escolha das áreas que serão alvos da pesquisa com as coleiras repelentes, Edgar Prates, que é coordenador no CCZ explicou que foram elencadas as principais regiões endêmicas da cidade e após isto foi feito um sorteio. Ele ainda lembra que a primeira intervenção é para fins de pesquisa, sem ter a obrigação de dar resultados efetivos. Mas que mediante uma resposta positiva, a ideia é expandir o recurso para outras localidades. “O que nós temos é que cumprir um estudo em 18 meses que vai resultar em um relatório sobre as características peculiares das coleiras em Rondonópolis e sua efetividade. Só depois vamos saber como proceder”, disse.

As coleiras devem chegar nas próximas semanas. O cronograma de trabalho em rua, no entanto, foi planejado para iniciar apenas em dois de junho.