LEISHMANIOSE
01/07/2011
PLs visam conter o crescimento da Leishmaniose em BH
Entre as grandes cidades, Belo Horizonte é a que mais sofre com a ocorrência de Leishmaniose Visceral (LV), que acomete humanos. Para evitar que a doença se alastre, dois projetos de lei tramitam na Câmara e propõem a castração de animais de rua e a vacinação gratuita de cães contra a doença.
O PL1082/2010, de autoria do vereador Sério Fernando (PHS), dispõe sobre a vacinação gratuita de cães contra a doença. A vacinação será feita mediante campanha anual, com ampla divulgação. O projeto aguarda apreciação em Plenário no 1º turno.
Para o autor, o projeto se faz necessário para conter o avanço da doença, que cresce diariamente. “É fundamental que o município passe a desenvolver ações para oferecer a vacina contra a Leishmaniose Visceral para todos os cães”, defende.
O PL 282/2009, do vereador Hugo Thomé (PMN), amplia a capacidade dos Centros de Esterilização de Cães e Gatos (Centro de Controle de Zoonoses, Centro de Esterilização de Cães e Gatos Noroeste e Oeste) para esterilização de animais de rua em todos os distritos sanitários da capital. A proposição aguarda apreciação em 2º turno em Plenário.
A ação integrará o Programa de Controle Populacional de Cães e Gatos e destina-se a impedir o crescimento da população de animais de rua, que servem de vetor para a transmissão de doenças. “O aumento desordenado do número de cães e gatos de rua torna necessária a castração dos animais, sendo uma solução definitiva para o problema”, afirma Thomé.
Aumento de casos
Segundo dados da PBH, até o mês de junho deste ano já foram detectados 24 casos de Leishmaniose em humanos. Em 2010, dos 134 casos registrados, 21 resultaram em morte. Em 2011, a Prefeitura sacrificou mais de três mil animais com a doença. O tratamento de cães não é uma medida recomendada, já que as tentativas de tratamento da Leishmaniose Visceral Canina por meio de drogas tradicionalmente empregadas podem levar ao risco de selecionar parasitas resistentes às drogas utilizadas no tratamento de humanos.
Superintendência de Comunicação Institucional
Grande Otelo
Tela feita pelo grafiteiro CRÂNIO, em apoio à campanha.
Apoio de várias celebridades
Hebe Camargo num lambeselinho em Grande Otelo, mascote da campanha.
sábado, 2 de julho de 2011
Seminário promovido pelo Deputado Estadual - Feliciano Filho
Feliciano publica relatório do Seminário de LVC
O deputado estadual Feliciano Filho (PV-Campinas) promoveu no dia 18 de junho de 2010 o maior seminário sobre Leishmaniose do Brasil. Realizado no Auditório Franco Montoro da Assembleia Legislativa de São Paulo, o evento reuniu os maiores especialistas do país para debater o assunto.
Vítor Márcio Ribeiro, que é médico veterinário e professor da PUC-MG, palestrou sobre os aspectos éticos e técnicos da Leishmaniose Visceral Canina e traçou parâmetros de como a doença é tratada no Brasil e no mundo.
Marcio Antoninio Moreira é o responsável pelo laboratório do hospital veterinário da Universidade Anhembi Morumbi e esclareceu as formas de controle e prevenção da Leishmaniose.
Como tudo o que não é de conhecimento da população, a Leishmaniose também é alvo de algumas informações desencontradas e veiculadas por pessoas que não conhecem o assunto. Mestre em Imunologia das Leishmanioses pela USP/SP, André Luís Soares da Fonseca, médico veterinário e advogado, esclareceu as verdades sobre a doença e tranqüilizou os participantes quantos aos mitos criados, principalmente através da internet.
O veterinário Fábio Nogueira esclareceu sobre as manifestações clínicas e como funciona o ciclo epidemiológico da Leishmaniose.
Muito se engana quem pensa que a Leishmaniose é motivo de discussão apenas no campo da medicina veterinária ou da biologia. No campo jurídico a enfermidade também provoca boas discussões. O advogado Sérgio Cruz, membro da Comissão de Meio Ambiente da OAB/MG, explanou sobre um caso em que Belo Horizonte foi obrigada a pagar uma indenização de R$ 40 mil por ter matado o animal de um munícipe.
Doutorado em saúde Pública Tropical pela Harward University, em 1997, o epidemiologista Carlos Henrique Nery Costa esclareceu que apenas no Brasil os animais portadores de Leishmaniose são exterminados. “Infelizmente o Brasil é o único país do mundo que não segue as normas internacionais no combate e tratamento da Leishmaniose e para nenhuma endemia. Apenas para o tratamento de HIV seguimos o que é preconizado mundialmente. Matar os animais não resolve a problemática da Leishmaniose”, explica o especialista.
“Cansado de assistir a incompetência dos governos, resolvi ir além das minhas prerrogativas, que é a de fiscalizar. Por isso, resolvi promover esse seminário sobre Leishmaniose para trazer toda a verdade a tona”, conclui o parlamentar paulista.
Confira abaixo o relatório do Seminário sobre LVC:
O deputado estadual Feliciano Filho promoveu no dia 18 de junho de 2010, o seminário “Leishmaniose: matar animais resolve?”. Realizado no Auditório Franco Montoro da Assembleia Legislativa de São Paulo, o evento reuniu os maiores especialistas do país para debater o assunto, entre eles médicos veterinários, advogados, e um médico infectologista com Doutorado em Saúde Pública Tropical por Harvard-EUA.
Vítor Márcio Ribeiro
Médico Veterinário, professor da PUC-MG, graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Minas Gerais (1980) , mestrado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Minas Gerais (1988) e doutorado em Parasitologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2001) . Atualmente é Professor Adjunto III – Aulista da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Médico Veterinário da Clínica Veterinária Santo Agostinho, Conselheiro da ANCLIVEPA MG e Conselheiro suplente do CRMV-MG.
Sérgio Cruz
Advogado,faz parte da Comissão do Meio Ambiente da OAB/MG e assessor jurídico da ANCLIVEPA-Brasil
Fábio Nogueira
Médico Veterinário,professor da Fundação Educacional de Andradina/SP, Mestre e Doutor em Leishmaniose. Andradina –SP
André Luis Soares da Fonseca
Médico veterinário e advogado. Professor de Imunologia e Imunoclinica e Genética Médica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Especialista e Direito Civil e Processual Civil. Mestre em Imunologia das Leishmanioses pela USP/SP e doutorando da USP/SP.
Carlos Henrique Nery Costa
1990 – 1996 Doutorado em Saúde Pública Tropical. Harvard University, HARVARD, Estados Unidos. 1979 – 1982 Mestrado em Medicina Tropical. Universidade de Brasília, UNB, Brasil. 1970 -1976 Graduação em Medicina. Universidade de Brasília, UNB, Brasil. �
2006 – atual: Coordenador Executivo da Rede Nordeste de Biotecnologia 2003 – atual: Diretor do Instituto de Doenças Tropicais Natan Portella 1997 – atual: Supervisor da residência médica em Infectologia da UFPI
2011 – atual: Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical
Marcio Antonio B. Moreira
Médico veterinário, dedicado ao diagnóstico laboratorial das doenças; graduado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP – Araçatuba); Mestrado em Fisiopatologia pelo Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), pesquisando o diagnóstico da leishmaniose visceral canina; Responsável pelo Laboratório de Patologia Clínica do Hospital Veterinário da Universidade Anhembi Morumbi (HOVET-UAM); Pesquisador do Laboratório de Patologia Animal da UNESP – Araçatuba.
Prof. Dr. Silvio Arruda Vasconcellos
Conselheiro Efetivo do CRMV-SP, Professor Titular de Zoonoses – Saúde Pública Veterinária da FMVZ/USP.
Com a proposta de discutir a atual política brasileira para o controle da doença no Brasil, que atualmente se concentra basicamente na eliminação do reservatório canino, o evento reuniu centenas de pessoas, na maior parte, ligadas à Saúde Pública no Estado de São Paulo.
A Leishmaniose Visceral (LV) é uma doença infecciosa, e não contagiosa, ou seja, não passa diretamente do cão para o homem, sendo o responsável pela transmissão o vetor Lutzomyia longipalpis (conhecido como flebótomo, ou mosquito palha). O cão é considerado o principal reservatório da Leishmania infantum, agente da doença, mas não é o único. Estudos científicos demonstraram que gatos, gambás e ratos podem ser encontrados infectados, e potencialmente poderiam ser reservatórios e fontes de infecção do flebótomo pelo agente. A LV é doença vetorial, sendo assim, a melhor forma de controle é o combate do vetor, o que acontece de forma muito precária no Brasil.
A prática da matança de cães como forma de controle da doença é usada no país desde 1963, por força de um Decreto Federal, porém o número de casos humanos só tem aumentado. Enquanto os esforços são concentrados na matança de cães, desvia-se o foco do problema central, que é o controle do vetor.
A Portaria Interministerial 1.426 de 2008, proíbe o tratamento da LV em cães com produtos de uso humano ou produtos não-registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Temos o conhecimento que existem atualmente no Brasil vários proprietários que tratam seus cães, por força de liminar, assim como médicos veterinários que conseguiram tal autorização, além de inúmeros casos onde o Estado foi obrigado a pagar multa por danos morais a proprietários que tiveram seus cães mortos.
Não existem evidências científicas que comprovem que a prática da eliminação canina em massa resolva o problema e controle o avanço da doença. O Brasil é o único país no mundo que mata cães como forma de controle leishmaniose.
Os atuais métodos diagnósticos utilizados no Brasil não são os mais aceitos pela OMS (Organização Mundial de Saúde), nem utilizados em países europeus, que tratam os animais doentes. Os exames realizados atualmente no Brasil apresentam baixa especificidade, que chega a 48% de erro no diagnóstico, resultando em muitas reações cruzadas com outras infecções, tais métodos deveriam ser usados apenas para levantamento epidemiológico (pesquisa de campo feita em uma determinada área para identificar os problemas de saúde que ameaçam a população) e nunca como critério de diagnóstico (aquilo que serve de norma para chegar a uma conclusão) da doença. Para um diagnóstico seguro, é necessária a realização da associação de mais um método diagnóstico, que comprove se o cão é ou não portador da infecção, conforme matéria publicada na FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (anexo).
Além disso, recente Revisão Sistemática encomendada pela OPAS/OMS (Organização PanAmericana da Saúde/Organização Mundial de Saúde) concluiu que mesmo com a eliminação dos cães nas últimas décadas, a incidência de Leishmaniose Visceral Humana manteve-se elevada, atribuindo a esse fato a baixa sensibilidade do teste de seleção, os longos atrasos entre o diagnóstico e o abate e a rejeição a esta intervenção por parte dos proprietários dos cães. Concluindo ao final: “Este estudo não demonstrou efeito positivo do abate de cães como medida de controle de infecção em humanos e cães.”, e continua “No entanto, o número crescente de casos verificados de LV no Brasil e a expansão da transmissão em áreas anteriormente não afetadas levantam dúvidas sobre o impacto das medidas de controle atualmente utilizadas.”
Os animais são tidos como membros da família. Para a lei são considerados “coisas”, mas para a família que os abriga são bens de valor, possuem valor afetivo. A mesma revisão sistemática da OPAS/OMS concluiu que “O abate canino parece ser a intervenção menos aceitável ao nível da comunidade, por razões óbvias, e tem baixa eficiência devido à taxa de reposição dos cães eliminados.” Em muitos casos, a família que abriga este animal, na intenção de protegê-lo de ser morto, o esconde, ou o leva para outros locais onde possivelmente ainda não há a doença. A prática da matança antipatiza os fiscais de controle de saúde, prejudicando inclusive o controle de outras doenças como a dengue, e desprestigia o médico veterinário.
Sendo assim, para evitar que animais sejam mortos indevidamente, para diagnóstico de certeza da LVC, para o conhecimento real e preciso da quantidade de animais infectados com essa importante zoonose, a fim de proteger os humanos, entendemos que o procedimento diagnóstico mais eficaz e seguro seria através da realização da atual triagem sorológica (e.g., RIFI e ELISA), e nos cães com resultados positivos realizar a confirmação por algum dos métodos parasitológicos.
Programas de combate ao vetor e conscientização da população para evitar a proliferação do flebótomo, bem como o uso de medidas preventivas como vacinas e coleiras nos cães, são imprescindíveis de serem implantadas.
Somente embasados em dados técnicos confiáveis sobre o número real de animais infectados pela LV poderemos desenvolver técnicas eficazes para diminuir sua disseminação, possibilitando o controle ético e humanitário da doença e o correto tratamento em seres humanos.
Fonte: Feliciano Filho
O deputado estadual Feliciano Filho (PV-Campinas) promoveu no dia 18 de junho de 2010 o maior seminário sobre Leishmaniose do Brasil. Realizado no Auditório Franco Montoro da Assembleia Legislativa de São Paulo, o evento reuniu os maiores especialistas do país para debater o assunto.
Vítor Márcio Ribeiro, que é médico veterinário e professor da PUC-MG, palestrou sobre os aspectos éticos e técnicos da Leishmaniose Visceral Canina e traçou parâmetros de como a doença é tratada no Brasil e no mundo.
Marcio Antoninio Moreira é o responsável pelo laboratório do hospital veterinário da Universidade Anhembi Morumbi e esclareceu as formas de controle e prevenção da Leishmaniose.
Como tudo o que não é de conhecimento da população, a Leishmaniose também é alvo de algumas informações desencontradas e veiculadas por pessoas que não conhecem o assunto. Mestre em Imunologia das Leishmanioses pela USP/SP, André Luís Soares da Fonseca, médico veterinário e advogado, esclareceu as verdades sobre a doença e tranqüilizou os participantes quantos aos mitos criados, principalmente através da internet.
O veterinário Fábio Nogueira esclareceu sobre as manifestações clínicas e como funciona o ciclo epidemiológico da Leishmaniose.
Muito se engana quem pensa que a Leishmaniose é motivo de discussão apenas no campo da medicina veterinária ou da biologia. No campo jurídico a enfermidade também provoca boas discussões. O advogado Sérgio Cruz, membro da Comissão de Meio Ambiente da OAB/MG, explanou sobre um caso em que Belo Horizonte foi obrigada a pagar uma indenização de R$ 40 mil por ter matado o animal de um munícipe.
Doutorado em saúde Pública Tropical pela Harward University, em 1997, o epidemiologista Carlos Henrique Nery Costa esclareceu que apenas no Brasil os animais portadores de Leishmaniose são exterminados. “Infelizmente o Brasil é o único país do mundo que não segue as normas internacionais no combate e tratamento da Leishmaniose e para nenhuma endemia. Apenas para o tratamento de HIV seguimos o que é preconizado mundialmente. Matar os animais não resolve a problemática da Leishmaniose”, explica o especialista.
“Cansado de assistir a incompetência dos governos, resolvi ir além das minhas prerrogativas, que é a de fiscalizar. Por isso, resolvi promover esse seminário sobre Leishmaniose para trazer toda a verdade a tona”, conclui o parlamentar paulista.
Confira abaixo o relatório do Seminário sobre LVC:
O deputado estadual Feliciano Filho promoveu no dia 18 de junho de 2010, o seminário “Leishmaniose: matar animais resolve?”. Realizado no Auditório Franco Montoro da Assembleia Legislativa de São Paulo, o evento reuniu os maiores especialistas do país para debater o assunto, entre eles médicos veterinários, advogados, e um médico infectologista com Doutorado em Saúde Pública Tropical por Harvard-EUA.
Vítor Márcio Ribeiro
Médico Veterinário, professor da PUC-MG, graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Minas Gerais (1980) , mestrado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Minas Gerais (1988) e doutorado em Parasitologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2001) . Atualmente é Professor Adjunto III – Aulista da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Médico Veterinário da Clínica Veterinária Santo Agostinho, Conselheiro da ANCLIVEPA MG e Conselheiro suplente do CRMV-MG.
Sérgio Cruz
Advogado,faz parte da Comissão do Meio Ambiente da OAB/MG e assessor jurídico da ANCLIVEPA-Brasil
Fábio Nogueira
Médico Veterinário,professor da Fundação Educacional de Andradina/SP, Mestre e Doutor em Leishmaniose. Andradina –SP
André Luis Soares da Fonseca
Médico veterinário e advogado. Professor de Imunologia e Imunoclinica e Genética Médica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Especialista e Direito Civil e Processual Civil. Mestre em Imunologia das Leishmanioses pela USP/SP e doutorando da USP/SP.
Carlos Henrique Nery Costa
1990 – 1996 Doutorado em Saúde Pública Tropical. Harvard University, HARVARD, Estados Unidos. 1979 – 1982 Mestrado em Medicina Tropical. Universidade de Brasília, UNB, Brasil. 1970 -1976 Graduação em Medicina. Universidade de Brasília, UNB, Brasil. �
2006 – atual: Coordenador Executivo da Rede Nordeste de Biotecnologia 2003 – atual: Diretor do Instituto de Doenças Tropicais Natan Portella 1997 – atual: Supervisor da residência médica em Infectologia da UFPI
2011 – atual: Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical
Marcio Antonio B. Moreira
Médico veterinário, dedicado ao diagnóstico laboratorial das doenças; graduado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP – Araçatuba); Mestrado em Fisiopatologia pelo Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), pesquisando o diagnóstico da leishmaniose visceral canina; Responsável pelo Laboratório de Patologia Clínica do Hospital Veterinário da Universidade Anhembi Morumbi (HOVET-UAM); Pesquisador do Laboratório de Patologia Animal da UNESP – Araçatuba.
Prof. Dr. Silvio Arruda Vasconcellos
Conselheiro Efetivo do CRMV-SP, Professor Titular de Zoonoses – Saúde Pública Veterinária da FMVZ/USP.
Com a proposta de discutir a atual política brasileira para o controle da doença no Brasil, que atualmente se concentra basicamente na eliminação do reservatório canino, o evento reuniu centenas de pessoas, na maior parte, ligadas à Saúde Pública no Estado de São Paulo.
A Leishmaniose Visceral (LV) é uma doença infecciosa, e não contagiosa, ou seja, não passa diretamente do cão para o homem, sendo o responsável pela transmissão o vetor Lutzomyia longipalpis (conhecido como flebótomo, ou mosquito palha). O cão é considerado o principal reservatório da Leishmania infantum, agente da doença, mas não é o único. Estudos científicos demonstraram que gatos, gambás e ratos podem ser encontrados infectados, e potencialmente poderiam ser reservatórios e fontes de infecção do flebótomo pelo agente. A LV é doença vetorial, sendo assim, a melhor forma de controle é o combate do vetor, o que acontece de forma muito precária no Brasil.
A prática da matança de cães como forma de controle da doença é usada no país desde 1963, por força de um Decreto Federal, porém o número de casos humanos só tem aumentado. Enquanto os esforços são concentrados na matança de cães, desvia-se o foco do problema central, que é o controle do vetor.
A Portaria Interministerial 1.426 de 2008, proíbe o tratamento da LV em cães com produtos de uso humano ou produtos não-registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Temos o conhecimento que existem atualmente no Brasil vários proprietários que tratam seus cães, por força de liminar, assim como médicos veterinários que conseguiram tal autorização, além de inúmeros casos onde o Estado foi obrigado a pagar multa por danos morais a proprietários que tiveram seus cães mortos.
Não existem evidências científicas que comprovem que a prática da eliminação canina em massa resolva o problema e controle o avanço da doença. O Brasil é o único país no mundo que mata cães como forma de controle leishmaniose.
Os atuais métodos diagnósticos utilizados no Brasil não são os mais aceitos pela OMS (Organização Mundial de Saúde), nem utilizados em países europeus, que tratam os animais doentes. Os exames realizados atualmente no Brasil apresentam baixa especificidade, que chega a 48% de erro no diagnóstico, resultando em muitas reações cruzadas com outras infecções, tais métodos deveriam ser usados apenas para levantamento epidemiológico (pesquisa de campo feita em uma determinada área para identificar os problemas de saúde que ameaçam a população) e nunca como critério de diagnóstico (aquilo que serve de norma para chegar a uma conclusão) da doença. Para um diagnóstico seguro, é necessária a realização da associação de mais um método diagnóstico, que comprove se o cão é ou não portador da infecção, conforme matéria publicada na FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (anexo).
Além disso, recente Revisão Sistemática encomendada pela OPAS/OMS (Organização PanAmericana da Saúde/Organização Mundial de Saúde) concluiu que mesmo com a eliminação dos cães nas últimas décadas, a incidência de Leishmaniose Visceral Humana manteve-se elevada, atribuindo a esse fato a baixa sensibilidade do teste de seleção, os longos atrasos entre o diagnóstico e o abate e a rejeição a esta intervenção por parte dos proprietários dos cães. Concluindo ao final: “Este estudo não demonstrou efeito positivo do abate de cães como medida de controle de infecção em humanos e cães.”, e continua “No entanto, o número crescente de casos verificados de LV no Brasil e a expansão da transmissão em áreas anteriormente não afetadas levantam dúvidas sobre o impacto das medidas de controle atualmente utilizadas.”
Os animais são tidos como membros da família. Para a lei são considerados “coisas”, mas para a família que os abriga são bens de valor, possuem valor afetivo. A mesma revisão sistemática da OPAS/OMS concluiu que “O abate canino parece ser a intervenção menos aceitável ao nível da comunidade, por razões óbvias, e tem baixa eficiência devido à taxa de reposição dos cães eliminados.” Em muitos casos, a família que abriga este animal, na intenção de protegê-lo de ser morto, o esconde, ou o leva para outros locais onde possivelmente ainda não há a doença. A prática da matança antipatiza os fiscais de controle de saúde, prejudicando inclusive o controle de outras doenças como a dengue, e desprestigia o médico veterinário.
Sendo assim, para evitar que animais sejam mortos indevidamente, para diagnóstico de certeza da LVC, para o conhecimento real e preciso da quantidade de animais infectados com essa importante zoonose, a fim de proteger os humanos, entendemos que o procedimento diagnóstico mais eficaz e seguro seria através da realização da atual triagem sorológica (e.g., RIFI e ELISA), e nos cães com resultados positivos realizar a confirmação por algum dos métodos parasitológicos.
Programas de combate ao vetor e conscientização da população para evitar a proliferação do flebótomo, bem como o uso de medidas preventivas como vacinas e coleiras nos cães, são imprescindíveis de serem implantadas.
Somente embasados em dados técnicos confiáveis sobre o número real de animais infectados pela LV poderemos desenvolver técnicas eficazes para diminuir sua disseminação, possibilitando o controle ético e humanitário da doença e o correto tratamento em seres humanos.
Fonte: Feliciano Filho
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Secretaria de Saúde do DF combate mosquito que transmite leishmaniose
29.06.2011 | 04h04
Já foram confirmados 122 casos em cães e 9 em pessoas no DF neste ano. Agentes de saúde visitam as casas para orientar os moradores
Do G1 DF, com informações do DFTV
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal está intensificando o trabalho de combate ao mosquito que transmite a leishmaniose na região do Fercal, Lago Norte, Varjão e Asa Norte. Esses são os locais onde a secretaria identificou aumento dos focos da doença.
A leishmaniose pode passar para o homem por picadas do mosquito contaminado com sangue de um cachorro doente e levar a pessoa à morte se ela não receber o tratamento adequado.
A secretaria já registrou dois casos de leishmaniose na Fercal. Uma menina de 2 anos ficou internada durante 15 dias depois de apresentar os sintomas da doença. De janeiro até o dia 8 deste mês, já foram confirmados 122 casos em cães e 9 em pessoas em todo o DF.
Na Fercal, os agentes de saúde ambiental visitam as casas onde fazem a dedetização e também colhem sangue dos cachorros que transmitem a doença para o homem. Eles também ensinam aos moradores a instalar armadilhas para capturar os mosquitos.
Para prevenir a doença é preciso controlar a proliferação do mosquito-palha, espécie transmissora da leishmaniose, que se desenvolve em restos de alimentos e plantas além de fezes dos animais. O mosquito prefere os locais escuros e úmidos.
Já foram confirmados 122 casos em cães e 9 em pessoas no DF neste ano. Agentes de saúde visitam as casas para orientar os moradores
Do G1 DF, com informações do DFTV
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal está intensificando o trabalho de combate ao mosquito que transmite a leishmaniose na região do Fercal, Lago Norte, Varjão e Asa Norte. Esses são os locais onde a secretaria identificou aumento dos focos da doença.
A leishmaniose pode passar para o homem por picadas do mosquito contaminado com sangue de um cachorro doente e levar a pessoa à morte se ela não receber o tratamento adequado.
A secretaria já registrou dois casos de leishmaniose na Fercal. Uma menina de 2 anos ficou internada durante 15 dias depois de apresentar os sintomas da doença. De janeiro até o dia 8 deste mês, já foram confirmados 122 casos em cães e 9 em pessoas em todo o DF.
Na Fercal, os agentes de saúde ambiental visitam as casas onde fazem a dedetização e também colhem sangue dos cachorros que transmitem a doença para o homem. Eles também ensinam aos moradores a instalar armadilhas para capturar os mosquitos.
Para prevenir a doença é preciso controlar a proliferação do mosquito-palha, espécie transmissora da leishmaniose, que se desenvolve em restos de alimentos e plantas além de fezes dos animais. O mosquito prefere os locais escuros e úmidos.
domingo, 26 de junho de 2011
Mudanças climáticas podem aumentar incidência de doenças infecciosas
Mudanças climáticas podem aumentar incidência de doenças infecciosas
Pesquisadores alertam que doença com sintomas parecidos com o da malária estaria migrando para o Brasil
Jornal do Brasil
Luisa Bustamante
As mudanças climáticas globais podem ser responsáveis pelo crescimento de doenças infecciosas no Brasil e em países vizinhos – sem falar nas crescentes migrações populacionais e construções de estradas. A hipótese é de um grupo de pesquisadores brasileiros, financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Os especialistas estudam as alterações do mapa epidemiológico de duas doenças infecciosas emergentes na Amazônia Ocidental, a Leishmaniose cutânea, que provoca lesões na pele, e a Bartonelose, enfermidade que tem sintomas parecidos com a malária e está avançando em direção ao Brasil. Em entrevista ao Jornal do Brasil, o médico sanitarista e coordenador do projeto, Manuel Cesário, conta que o objetivo é desenvolver um sistema de alerta precoce para as doenças, a fim de que, assim, a sociedade dê conta de se adaptar aos impactos negativos das mudanças ambientais na saúde.
Seu projeto começou no final do ano passado. O que você observou até agora?
Vimos uma mudança na situação sócio-ambiental da região da fronteira do Brasil com o Peru e a Bolívia, ao mesmo tempo em que o comportamento da distribuição de doenças infecciosas como a Leishmaniose cutânea e a Bartonelose também mudou. O que queremos investigar é se essas mudanças sócio-ambientais estão influenciando no comportamento dessas doenças.
Pesquisadores alertam que doença com sintomas parecidos com o da malária estaria migrando para o Brasil
Jornal do Brasil
Luisa Bustamante
As mudanças climáticas globais podem ser responsáveis pelo crescimento de doenças infecciosas no Brasil e em países vizinhos – sem falar nas crescentes migrações populacionais e construções de estradas. A hipótese é de um grupo de pesquisadores brasileiros, financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Os especialistas estudam as alterações do mapa epidemiológico de duas doenças infecciosas emergentes na Amazônia Ocidental, a Leishmaniose cutânea, que provoca lesões na pele, e a Bartonelose, enfermidade que tem sintomas parecidos com a malária e está avançando em direção ao Brasil. Em entrevista ao Jornal do Brasil, o médico sanitarista e coordenador do projeto, Manuel Cesário, conta que o objetivo é desenvolver um sistema de alerta precoce para as doenças, a fim de que, assim, a sociedade dê conta de se adaptar aos impactos negativos das mudanças ambientais na saúde.
Seu projeto começou no final do ano passado. O que você observou até agora?
Vimos uma mudança na situação sócio-ambiental da região da fronteira do Brasil com o Peru e a Bolívia, ao mesmo tempo em que o comportamento da distribuição de doenças infecciosas como a Leishmaniose cutânea e a Bartonelose também mudou. O que queremos investigar é se essas mudanças sócio-ambientais estão influenciando no comportamento dessas doenças.
Saúde - Votuporanga
Secez pede colaboração de moradores para prevenção da leishmaniose
25/06/2011 - 10:00:00
A Secretaria Municipal de Saúde por meio do Secez (Setor de Controle de Endemias e Zoonoses) chama a atenção dos moradores de Votuporanga para o combate a leishmaniose visceral.
De janeiro até agora, entre os 653 exames realizados pelo IAL – Instituto Adolph Lutz de São Paulo, foram registrados na cidade, 96 casos positivos de leishmaniose canina. No ano passado, de junho a dezembro, 64 cães estavam infectados, o que já totaliza 160 animais com diagnóstico positivo.
O veterinário do Secez, Élcio Sanches, explica que medidas simples de prevenção, “podem afastar as chances de transmissão pela picada do mosquito palha, principalmente em cães e no homem, que se não for tratada, pode ser mortal”.
Medidas
As medidas de combate a serem adotadas pela população:
- limpe quintais e retire permanentemente material orgânico, como frutos, folhas e fezes de animais;
- pode as árvores para propiciar a entrada de raios solares na raiz;
- retire galinhas e galinheiros da área urbana - fontes de alimento e desenvolvimento do mosquito;
- não deixe cães dentro das casas, principalmente no crepúsculo e à noite;
- coloque coleiras e outros repelentes em cães sadios;
- comunique a Secretaria de Saúde, em casos suspeitos em cães e humanos.
Durante as análises, o Secez verificou que em bairros onde até então, não havia registros da doença, foram diagnosticados casos positivos em casas, “sobretudo nas que continham quintais com galinhas e com restos de material orgânico em decomposição (fezes, folhas, frutas e galhos) em ambientes úmidos. Por isso, a necessidade da limpeza e retirada das aves da zona urbana”, destaca o veterinário.
Leishmaniose
A leishmaniose é uma doença transmitida pela picada do mosquito lutzomia longipalpis, infectando alguns mamíferos, principalmente o homem e o cão.
O período de incubação da doença é de duas semanas a dois anos, podendo ser mais longo. A taxa de mortalidade em humanos é em torno de 20%, nos cães, chega a 100%. No Brasil, o tratamento para o animal é proibido; mesmo tratado há uma melhora clínica temporária, mas, a doença continua a ser dissipada pelo resta da vida; sendo necessária a eutanásia.
Sintomas em humanos
Em humanos, os principais sintomas e sinais clínicos da doença são:
- febre irregular de longa duração (mais de 07 dias);
- falta de apetite, emagrecimento e fraqueza;
- barriga inchada (pelo aumento do fígado e do baço, com o passar do tempo).
Sintomas em humanos
Embora aparentemente sadio, o cão pode estar doente, uma vez que os sinais clínicos podem demorar a aparecer. Mesmo assim, é importante ficar atento caso o cão apresente sintomas da doença, como:
- apatia;
- lesões de pele;
- queda de pelos; (inicialmente ao redor dos olhos e nas orelhas)
- emagrecimento;
- lacrimejamento;
- conjutivite purulenta;
- crescimento anormal das unhas;
- anemia/aumento dos linfonodos.
Primeiros casos
Os primeiros mosquitos transmissores da leishmaniose foram identificados em 1997, na cidade de Araçatuba/SP.
Já em 1998 surgiram os primeiros casos de leishmaniose em cães. No ano seguinte foram registrados 15 casos em humanos com 04 óbitos; até o início de 2011 – esse número evoluiu para 314 casos humanos com 30 óbitos. No estado de São Paulo, em 10 anos, foram registrados 1.808 casos de leishmaniose e 179 óbitos.
O veterinário da Secretaria de Saúde de Votuporanga avalia a doença como traiçoeira, “no início seus sintomas são inespecíficos e podem passar despercebidos por médicos e pacientes, sendo diagnosticada tardiamente quando o quadro estiver avançado e grave”.
Vítimas
Crianças e idosos são as principais vítimas, sendo 45% dos casos em crianças entre 02 e 04 anos, por permanecerem brincando nos quintais são mais suscetíveis as picadas do mosquito.
Ações
O número de municípios afetados cresce anualmente em todo estado. Na região de Votuporanga a doença foi primeiramente diagnosticada na cidade de Jales, que desde 2008 teve o primeiro caso em humano, com a morte de uma criança. A partir daí a doença se alastrou para diversas cidades da região. Em junho de 2010, foi diagnosticado o primeiro caso da doença em um cão de Votuporanga. Várias ações preventivas já estão sendo tomadas:
- treinamento e orientações aos médicos, veterinários, agentes de saúde e enfermeiros para alerta e esclarecimento da doença;
- confecção de cartilhas infantis, cartazes e folders para prevenção da doença;
- divulgação da doença por meio de entrevistas em rádios, TV’s, jornais, concedidas pelo médico veterinário responsável pelo Secez;
- produção de materiais de divulgação e orientação nas contas de água, com o apoio da Saev Ambiental;
- realização permanente de exames gratuitos para diagnósticos da doença;
- visitas de enfermeiros nas casas, após diagnóstico positivo de exames em cão para orientação de toda família e diagnóstico do ambiente;
- eutanásia de cães positivos;
- apoio diagnóstico às clínicas veterinárias particulares;
- orientação aos moradores;
- programa de castração gratuita de animais voltado a famílias com baixa renda e cuidadores de animais de rua. Neste ano 1.000 castrações devem ser realizadas, evitando o nascimento de cerca de 2.500 cães e gatos (muitos deles iriam para as ruas).
Conforme as pesquisas de hábitos e do ciclo do transmissor da doença realizadas pelo Secez, “notou-se que a retirada dos cães para eutanásia é uma ação incompleta, já que o mosquito continua nos quintais se o ambiente for favorável, o que coloca a saúde dos moradores em risco”, detalha Élcio Sanchez.
A Secretaria de Saúde conta com a participação da comunidade para combater a doença e seguirá com a realização de campanhas de conscientização. Mais informações sobre a doença ou notificação de algum caso suspeito de leishmaniose visceral pelo telefone do Secez (17) 3405-9787 - ramal 9716 ou 9786, localizado a Rua Santa Catarina nº 3890 – Patrimônio Velho.
25/06/2011 - 10:00:00
A Secretaria Municipal de Saúde por meio do Secez (Setor de Controle de Endemias e Zoonoses) chama a atenção dos moradores de Votuporanga para o combate a leishmaniose visceral.
De janeiro até agora, entre os 653 exames realizados pelo IAL – Instituto Adolph Lutz de São Paulo, foram registrados na cidade, 96 casos positivos de leishmaniose canina. No ano passado, de junho a dezembro, 64 cães estavam infectados, o que já totaliza 160 animais com diagnóstico positivo.
O veterinário do Secez, Élcio Sanches, explica que medidas simples de prevenção, “podem afastar as chances de transmissão pela picada do mosquito palha, principalmente em cães e no homem, que se não for tratada, pode ser mortal”.
Medidas
As medidas de combate a serem adotadas pela população:
- limpe quintais e retire permanentemente material orgânico, como frutos, folhas e fezes de animais;
- pode as árvores para propiciar a entrada de raios solares na raiz;
- retire galinhas e galinheiros da área urbana - fontes de alimento e desenvolvimento do mosquito;
- não deixe cães dentro das casas, principalmente no crepúsculo e à noite;
- coloque coleiras e outros repelentes em cães sadios;
- comunique a Secretaria de Saúde, em casos suspeitos em cães e humanos.
Durante as análises, o Secez verificou que em bairros onde até então, não havia registros da doença, foram diagnosticados casos positivos em casas, “sobretudo nas que continham quintais com galinhas e com restos de material orgânico em decomposição (fezes, folhas, frutas e galhos) em ambientes úmidos. Por isso, a necessidade da limpeza e retirada das aves da zona urbana”, destaca o veterinário.
Leishmaniose
A leishmaniose é uma doença transmitida pela picada do mosquito lutzomia longipalpis, infectando alguns mamíferos, principalmente o homem e o cão.
O período de incubação da doença é de duas semanas a dois anos, podendo ser mais longo. A taxa de mortalidade em humanos é em torno de 20%, nos cães, chega a 100%. No Brasil, o tratamento para o animal é proibido; mesmo tratado há uma melhora clínica temporária, mas, a doença continua a ser dissipada pelo resta da vida; sendo necessária a eutanásia.
Sintomas em humanos
Em humanos, os principais sintomas e sinais clínicos da doença são:
- febre irregular de longa duração (mais de 07 dias);
- falta de apetite, emagrecimento e fraqueza;
- barriga inchada (pelo aumento do fígado e do baço, com o passar do tempo).
Sintomas em humanos
Embora aparentemente sadio, o cão pode estar doente, uma vez que os sinais clínicos podem demorar a aparecer. Mesmo assim, é importante ficar atento caso o cão apresente sintomas da doença, como:
- apatia;
- lesões de pele;
- queda de pelos; (inicialmente ao redor dos olhos e nas orelhas)
- emagrecimento;
- lacrimejamento;
- conjutivite purulenta;
- crescimento anormal das unhas;
- anemia/aumento dos linfonodos.
Primeiros casos
Os primeiros mosquitos transmissores da leishmaniose foram identificados em 1997, na cidade de Araçatuba/SP.
Já em 1998 surgiram os primeiros casos de leishmaniose em cães. No ano seguinte foram registrados 15 casos em humanos com 04 óbitos; até o início de 2011 – esse número evoluiu para 314 casos humanos com 30 óbitos. No estado de São Paulo, em 10 anos, foram registrados 1.808 casos de leishmaniose e 179 óbitos.
O veterinário da Secretaria de Saúde de Votuporanga avalia a doença como traiçoeira, “no início seus sintomas são inespecíficos e podem passar despercebidos por médicos e pacientes, sendo diagnosticada tardiamente quando o quadro estiver avançado e grave”.
Vítimas
Crianças e idosos são as principais vítimas, sendo 45% dos casos em crianças entre 02 e 04 anos, por permanecerem brincando nos quintais são mais suscetíveis as picadas do mosquito.
Ações
O número de municípios afetados cresce anualmente em todo estado. Na região de Votuporanga a doença foi primeiramente diagnosticada na cidade de Jales, que desde 2008 teve o primeiro caso em humano, com a morte de uma criança. A partir daí a doença se alastrou para diversas cidades da região. Em junho de 2010, foi diagnosticado o primeiro caso da doença em um cão de Votuporanga. Várias ações preventivas já estão sendo tomadas:
- treinamento e orientações aos médicos, veterinários, agentes de saúde e enfermeiros para alerta e esclarecimento da doença;
- confecção de cartilhas infantis, cartazes e folders para prevenção da doença;
- divulgação da doença por meio de entrevistas em rádios, TV’s, jornais, concedidas pelo médico veterinário responsável pelo Secez;
- produção de materiais de divulgação e orientação nas contas de água, com o apoio da Saev Ambiental;
- realização permanente de exames gratuitos para diagnósticos da doença;
- visitas de enfermeiros nas casas, após diagnóstico positivo de exames em cão para orientação de toda família e diagnóstico do ambiente;
- eutanásia de cães positivos;
- apoio diagnóstico às clínicas veterinárias particulares;
- orientação aos moradores;
- programa de castração gratuita de animais voltado a famílias com baixa renda e cuidadores de animais de rua. Neste ano 1.000 castrações devem ser realizadas, evitando o nascimento de cerca de 2.500 cães e gatos (muitos deles iriam para as ruas).
Conforme as pesquisas de hábitos e do ciclo do transmissor da doença realizadas pelo Secez, “notou-se que a retirada dos cães para eutanásia é uma ação incompleta, já que o mosquito continua nos quintais se o ambiente for favorável, o que coloca a saúde dos moradores em risco”, detalha Élcio Sanchez.
A Secretaria de Saúde conta com a participação da comunidade para combater a doença e seguirá com a realização de campanhas de conscientização. Mais informações sobre a doença ou notificação de algum caso suspeito de leishmaniose visceral pelo telefone do Secez (17) 3405-9787 - ramal 9716 ou 9786, localizado a Rua Santa Catarina nº 3890 – Patrimônio Velho.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Notícias alarmantes em Tangará
15/06/2011 - 17h59
Amostras de sangue mostram cães com leishmaniose visceral em Tangará
Fabíola Tormes
de Tangará da Serra
Após a morte de um cachorro na zona rural infectado com uma doença perigosa, a leishmaniose visceral (LV), a Vigilância Sanitária de Tangará da Serra, no médio norte de Mato Grosso, realizou um trabalho de coleta de amostras de sangue de 110 animais na localidade. Segundo a coordenadora Maria do Carmo de Lima, o trabalho foi realizado em maio deste ano e os resultados são preopantes: quatro já apresentaram resultado positivo para a doença. “Estamos aguardando os resultados dos demais exames”, informou.
Ela ressaltou, porém, que para os casos positivos as medidas de eliminação já foram tomadas. Os sintomas mais comuns nos animais são: feridas na pele que aparecem no focinho, orelha, cauda e patas, emagrecimento, queda de pelos, vômito, febre irregular, fezes com sangue, crescimento exagerado das unhas e lacrimejamento (conjuntivite). Confira tabela dos principais sintomas da LV no homem e no animal.
Esta zoonose tem evolução crônica e, se não for tratada, pode levar ao óbito em até 90% dos casos, de acordo o Ministério da Saúde. Por isso, a coordenadora alerta para a importância de se eliminar (sacrificar) esses animais doentes, pois são o principal reservatório de uma doença perigosa. Já ao ser humano, a enfermidade ocorre quando um inseto infectado – a fêmea do mosquito-palha, também conhecido como birigui – pica uma pessoa. Em Tangará da Serra, atualmente, quatro pessoas estão em tratamento para eliminação da doença.
Diferentemente da leishmaniose tegumentar americana (LTA), que atinge apenas pele e mucosa, a visceral tem um quadro sistêmico mais grave. Lima destaca que a zoonose tem uma característica eminentemente rural, entretanto casos urbanos vêm ocorrendo devido aos desmatamentos e a entrada do homem nestes territórios rurais. “Por isso, é importante ressaltar a importância de se usar repelente e roupas compridas, por exemplo, quando forem pescar ou mesmo a trabalho em áreas rurais”, recomenda.
Para os humanos, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento específico e gratuito para casos de leishmaniose visceral. Além dos medicamentos, é necessário repouso. Vale ressaltar que quanto antes o paciente procurar ajuda, maiores são as chances de recuperação e cura.
Para os animais, o uso da coleira a base de deltametrina da Intervet, a Scalibor, Caso o cão já esteja infectado durante o período de imunização, não há como a doença deixar de se desenvolver.
Amostras de sangue mostram cães com leishmaniose visceral em Tangará
Fabíola Tormes
de Tangará da Serra
Após a morte de um cachorro na zona rural infectado com uma doença perigosa, a leishmaniose visceral (LV), a Vigilância Sanitária de Tangará da Serra, no médio norte de Mato Grosso, realizou um trabalho de coleta de amostras de sangue de 110 animais na localidade. Segundo a coordenadora Maria do Carmo de Lima, o trabalho foi realizado em maio deste ano e os resultados são preopantes: quatro já apresentaram resultado positivo para a doença. “Estamos aguardando os resultados dos demais exames”, informou.
Ela ressaltou, porém, que para os casos positivos as medidas de eliminação já foram tomadas. Os sintomas mais comuns nos animais são: feridas na pele que aparecem no focinho, orelha, cauda e patas, emagrecimento, queda de pelos, vômito, febre irregular, fezes com sangue, crescimento exagerado das unhas e lacrimejamento (conjuntivite). Confira tabela dos principais sintomas da LV no homem e no animal.
Esta zoonose tem evolução crônica e, se não for tratada, pode levar ao óbito em até 90% dos casos, de acordo o Ministério da Saúde. Por isso, a coordenadora alerta para a importância de se eliminar (sacrificar) esses animais doentes, pois são o principal reservatório de uma doença perigosa. Já ao ser humano, a enfermidade ocorre quando um inseto infectado – a fêmea do mosquito-palha, também conhecido como birigui – pica uma pessoa. Em Tangará da Serra, atualmente, quatro pessoas estão em tratamento para eliminação da doença.
Diferentemente da leishmaniose tegumentar americana (LTA), que atinge apenas pele e mucosa, a visceral tem um quadro sistêmico mais grave. Lima destaca que a zoonose tem uma característica eminentemente rural, entretanto casos urbanos vêm ocorrendo devido aos desmatamentos e a entrada do homem nestes territórios rurais. “Por isso, é importante ressaltar a importância de se usar repelente e roupas compridas, por exemplo, quando forem pescar ou mesmo a trabalho em áreas rurais”, recomenda.
Para os humanos, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento específico e gratuito para casos de leishmaniose visceral. Além dos medicamentos, é necessário repouso. Vale ressaltar que quanto antes o paciente procurar ajuda, maiores são as chances de recuperação e cura.
Para os animais, o uso da coleira a base de deltametrina da Intervet, a Scalibor, Caso o cão já esteja infectado durante o período de imunização, não há como a doença deixar de se desenvolver.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Aquecimento global pode aumentar incidência de doenças

Uma pesquisa mostra que as mudanças climáticas tendem a ampliar a abrangência geográfica das doenças infecciosas como a leishmaniose
A leishmaniose, transmitida por mosquitos do gênero Lutzomyia, é uma das doenças que se expanderm com a ajuda das mudanças climáticas
São Paulo -- Relacionadas entre si, as mudanças climáticas globais e as mudanças do uso do solo podem alterar a abrangência geográfica de determinadas doenças infecciosas. Nesse contexto, um grupo de pesquisadores brasileiros está estudando as alterações do mapa epidemiológico de duas doenças infecciosas emergentes na Amazônia Ocidental. O objetivo é desenvolver um sistema de alerta precoce para as doenças, viabilizando a adaptação aos impactos negativos das mudanças ambientais sobre a saúde humana.
De acordo com Cesário, o projeto monitora as mudanças ocorridas no mapa epidemiológico da bartonelose e da leishmaniose cutânea na região da tríplice fronteira, entre Brasil, Bolívia e Peru. As duas doenças são transmitidas pelo mesmo vetor: os mosquitos flebotomíneos do gênero Lutzomyia.
Bartonelose
A bartonelose, doença emergente originária dos Andes, é causada pela bactéria Bartonella bacilliformis e provoca fraqueza, anemia, febres e calafrios. A doença, também conhecida como “verruga peruana”, pode se apresentar na forma conhecida como “bartonelose verrucosa”, produzindo lesões que se assemelham a tumores de pele.
A leishmaniose, zoonose comum a humanos e cães, é causada por protozoários flagelados do gênero Leishmania e pode adquirir a forma visceral ou cutânea. Esta última, também conhecida como “úlcera de Bauru”, gera lesões na pele e pode se manifestar como lesões inflamatórias nas mucosas do nariz ou da boca.
“O objetivo do estudo é desenvolver um sistema de alerta precoce para essas doenças diante das profundas mudanças socioambientais que essa região está enfrentando. Além dos impactos das mudanças climáticas globais e do desmatamento, há impactos causados por mudanças sociais profundas em virtude de grandes projetos de desenvolvimento e intensos fluxos migratórios na região”, disse Cesário à Agência FAPESP.
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